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Entrevista a José Carlos Ferreira - Vice-Presidente da Associação Ornitófila do Reguengo, organizadora da IberAves

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Entrevista a José Carlos Ferreira - Vice-Presidente da Associação Ornitófila do Reguengo, organizadora da IberAves

Mensagem  Ricardo Mendao Silva em Qui Nov 10, 2011 9:50 pm

Desde 2009, ano em que a nova direcção da A.O.R. tomou posse, que a mesma, principalmente através da IberAves, tem vindo a afirmar-se no panorama da ornitologia Nacional. O destaque principal tem sido ao nível dos Psitacídeos, onde para além do incentivo à exposição dos mesmos, a A.O.R. apresenta um conjunto de novas classes por forma a tornar os julgamentos mais justos. Aliado a isto a A.O.R. introduz ainda uma inovação muito saudada, nomeadamente a recolha de aves ao domicilio, o que permite aos criadores mais distantes participarem no evento.

PP-Como começou a aposta no sector dos Psitacídeos?

JCF - Por demonstração de vontade própria dos nossos associados criadores de psitacídeos que na primeira IberAves em 2009 apresentaram 1/3 das aves a concurso o que evidenciava uma clara inversão dos números que eram e são normais em exposição; estava criado um espaço onde os psitacídeos são actores principais. Também porque a Direcção da A.O.R. tinha já em estudo um projecto de desenvolvimento e inovação: queríamos ser diferentes para criar o nosso espaço próprio a nível nacional e ibérico, porque se não o fizéssemos, e dada a nossa localização, não poderíamos sequer alimentar sonhos de ser e fazer melhor. Por outro lado precisávamos desesperadamente de novos criadores na região: os psitacídeos tinham, como se veria mais tarde, por falta de representação e importância em exposições, as condições que precisávamos para os colocar nas gaiolas de criação dos nossos associados.
Por último o público leigo não especializado em aves adere muito facilmente ao fascínio da cor e comportamento dos psitacídeos.
Obviamente que não iríamos perder uma oportunidade de podermos ser diferentes.

PP - É um objectivo da A.O.R. tornar-se numa associação especializada somente em Psitacídeos?

JCF - Nunca!
A A.O.R. é uma associação cujo primeiro objectivo é fomentar o associativismo entre os seus criadores e ajudá-los a crescer em quantidade e qualidade, na sua vontade e prazer.
Diminuindo o apoio a criadores de exóticos ou canários seria um claro sinal de diminuição da qualidade do nosso trabalho!
Naturalmente que nestas áreas, que têm tantos outras exposições com o seu espaço e importância próprios, não poderemos promover um desenvolvimento específico tão claro. Mas ainda este ano falhámos um dos nossos programas de desenvolvimento, que era apoiar e fomentar o aparecimento de criadores de canário arlequim português, quer por termos acreditarmos que é uma raça que se adequaria perfeitamente ao perfil dos nossos criadores de canários, quer por estarmos convictos que o arlequim pode estar a ser menos bem trabalhado: ainda não está tão implantado em quantidade e qualidade em termos de património genético que se permita já uma explosão tão massiva de novas mutações; se não se inverter este rumo o arlequim poder-se-á perder; no caso deste programa não conseguimos o apoio dos criadores de arlequim.

PP - Ao longo destes 3 anos quais foram as principais lições aprendidas relativamente à exposição e concurso de Psitacídeos?

JCF - É extremamente gratificante trabalhar com estas aves em exposição.
Sem dúvida que esta é a principal lição que aprendemos: não estávamos à espera que em tão pouco tempo conquistássemos tanto apoio e interesse.
Existe um comodismo grande em fazer melhor ou bem feito.
O desinteresse na utilização e na adesão a uma linguagem científica no mundo das exposições impedem por vezes o desenvolvimento das mesmas; por exemplo “defesa do património genético”, “biodiversidade” e outras, são expressões afastadas das exposições.
Existe um distanciamento, por vezes enorme, entre os objectivos do criador, do juiz e da exposição.
O criador apoia naturalmente sempre que exista um trabalho bem feito nas exposições.
Uma única ave, um criador, são tão importantes quanto um criador com muitas aves.

PP - Qual é a análise relativa à qualidade dos Psitacídeos que têm surgido a concurso ao longo deste período? E à variedade?

JCF - Nestes 3 anos na IberAves é muito interessante de verificar que houve claramente uma melhoria acentuada na qualidade dos psitacídeos de criadores afirmados, quer nos agapornis, quer em outras espécies das secções K e M, sobretudo: foi demasiado evidente, neste três anos a melhoria nos fischeri apresentados, levando a que por exemplo tivessem concorrido 11 equipas em fischeri verde, das quais 6 obtivessem a pontuação mínima para poderem pontuar. Impressionante!
Paralelamente a esta melhoria na qualidade houve uma entrada de aves de inferior qualidade em exposição, reflectindo o aparecimento de criadores novos inexperientes e ainda desadequados do mundo das exposições, necessitando de uma experiência como esta. Este facto muito nos orgulhou também.
Por outro lado no caso dos roseicollis “longfeather” houve, em nosso entender uma melhoria na qualidade apresentada o que não se reflectiu nas classificações.
O alargamento da variedade dentro dos agapornis levará mais tempo, mas dentro dos psitacídeos apresentámos este ano uma progressão enorme, graças aos criadores expositores que nos apoiaram.

PP - É um objectivo da A.O.R. continuar a trabalhar no desenvolvimento de novas classes de Psitacídeos ou esse desenvolvimento ocorrerá apenas se o número de aves a concurso o justificar?

JCF - Foram quatro os objectivos que nortearam a abertura de novas classes nos psitacídeos:
  • aumentar a dignidade da representação dos psitacídeos em exposição; as classes existentes eram danosas para certas espécies e fenótipos de psitacídeos;
  • promover o aparecimento em exposição de MUITOS novos criadores de psitacídeos; a IberAves tem sido uma “incubadora de novos criadores”; nesse sentido a abertura de novas classes em agapornis criou um enorme incentivo já que, e voltando a um exemplo já dado, se um novo criador de imediato não teria qualquer hipótese de concorrer em fischeri verde pode especializar-se noutras classes e obter a devida recompensa com prémios que incentivam o seu trabalho; idêntico caso nos periquitos australianos que muito incentivámos a que se representassem; houve expositores, quer em agapornis, quer em periquitos que nunca haviam participado em exposições e obtiveram primeiros lugares na IberAves; tiveram o seu espaço;
  • representações em quantidade de certas espécies em exposição; queremos muitos agapornis e muito periquitos em exposição; a quantidade trará, com o tempo a qualidade superior;
  • adequar as novas classes a uma linguagem científica mais adequada, que por vezes é abandonada nas exposições; as classes adequam-se às mutações e aos fenótipos (à linguagem genética);

Obviamente que para aceitarem as novas classes, quer a federação quer os criadores de nível nacional, precisaram que demonstrássemos um número grande de aves em exposição.
Futuramente sempre que os criadores expositores o solicitem estudaremos a abertura de novas classes em psitacídeos, não sendo absolutamente necessário que haja um determinado número de aves a concurso; por exemplo se os criadores da secção M justificarem que a abertura de determinadas classes viria a trazer mais tarde um crescimento do número de aves em exposição, estas seriam criadas.

PP - Em termos de infraestruturas e equipamento especifico (gaiolas/voadeiras de exposição para psitacídeos), qual é neste momento a capacidade da A.O.R.?

JCF - No momento, não limitando de forma alguma a inscrição de aves, apresentámos um número suficiente de gaiolas para a aves em exposição.
Possuimos, para os psitacídeos, 500 gaiolas “P1” do tipo para agapornis, 50 gaiolas “P2” para psitacídeos de médio porte e ainda 32 gaiolas do formato antigo para psitacídeos, entre umas e outras. A aquisição deste material só foi tornada possível com o apoio incondicional da F.O.N.P., dado que a A.O.R. tem obviamente limitações económicas, que, temos a certeza, não serão limitativas à nossa expansão futura.
Por curiosidade quase não restou uma única gaiola de psitacídeos.
Contávamos ainda com o apoio de outras associações ou clubes que nos cederiam material próprio caso necessitássemos.

PP - Prevêem que essa capacidade seja suficiente para as próximas edições ou acreditam que irá haver um crescimento significativo que obrigue a novos investimentos?

JCF - Prevemos que em agapornis não haverá um crescimento significativo em número, que limite a nossa capacidade de aceitação de inscrição de aves; é quase certo que haverá sim um crescimento em qualidade global das aves apresentadas. Já nos psitacídeos de médio porte haverá certamente um crescente número em IberAves futuras, com o apoio dos criadores que já este ano participaram e a eventual vinda de outros; nesse caso contaremos sobretudo, não com um investimento próprio, que no próximo ano será limitado, mas com a cedência de gaiolas por parte de outros clubes. Tudo tentaremos para nunca limitar a inscrição de aves a concurso.

PP - Dada a localização da A.O.R. existe a possibilidade de atracção de criadores Espanhóis, o que aumentaria em muito os potenciais expositores e aumentaria a competitividade. Relativamente aos Psitacídeos, a lei Espanhola exige um tratamento preventivo de 45 dias para a Chlamydophila psittaci, com comprovativo veterinário, a todos os psitacídeos que entrem em exposição. Essa medida tem afastado os criadores das mesmas, tanto que os Psitacídeos a concurso em Espanha são efectivamente muito poucos.
Será a IberAves no futuro um ponto de encontro dos criadores de Psitacídeos Ibéricos, funcionando como uma alternativa viável para os criadores Espanhóis?


JCF - O nome IberAves sempre evidenciou as nossas intenções. Nunca o camuflámos.
Tivemos no entanto a noção de que primeiro precisávamos de apresentar uma exposição madura e com qualidade a nível nacional para depois podermos ter mais argumentos de sedução para os espanhóis. Este ano convidámos a A.E.C.A. [Asociación Espanõla de Criadores de Agapornis] a fazer-se representar quer por criadores quer por uma representação directiva. “Falhámos” quanto aos criadores mas tivemos já a visita do representante da A.E.C.A. na Extremadura espanhola, que deixou em aberto uma porta bem larga, para o futuro; veremos.
Obviamente que as restrições sanitárias em Espanha poderão ser um ponto a favor da participação espanhola.

PP - Uma das grandes inovações na IberAves foi a recolha ao domicílio das aves inscritas para concurso. Quais os termos e restrições deste processo? É extensível a Espanha?

JCF - O Programa de Recolha de Aves ao Domicilio apresenta já uma experiência firmada de três anos de execução, tem sido melhorado gradualmente, nomeadamente com o alargamento a todo o território continental e claro que apresenta a única forma de apoiarmos a apresentação de aves e criadores de longe em exposição na IberAves. Apresenta e apresentará uma limitação que é a obrigatoriedade de haver na região um número de aves e/ou criadores que o justifiquem.
Consideramos que a entrega das aves no domicilio, do ponto de vista de responsabilidade, assume o mesmo valor que sendo as aves entregues no local da exposição. Nunca negligenciaremos uma ave em exposição e também nunca o faremos no transporte.
O que propomos aos criadores espanhóis em termos de transporte, e neste campo eles têm maior liberdade e experiência que nós, é que façam o transporte por companhia transportadora até próximo da fronteira onde nós recolheremos as mesmas.

PP - Outra inovação da IberAves foi o ter introduzido os colóquios técnicos. Há perspectivas de evolução neste sector?

JCF - Apesar de não sermos inovadores, já que outras exposições já haviam seguido este modelo, nós sempre considerámos a formação dos nossos criadores como um ponto fundamental do trabalho da A.O.R. e internamente havíamos já apresentado vários colóquios [“A Genética nas Aves”, “A Genética em 5 espécies mais frequentes nos nossos aviários”, “Criando Exóticos, um filme”, entre outros], que nunca obtiveram a adesão que pretendíamos e que necessitávamos para manter o nosso entusiasmo nesta área. Depois aproveitámos a IberAves para “obrigar” os nossos associados a aceitar este programa.
Em relação ao futuro da formação na ornitófila consideramos que apesar das reticências que os criadores apresentam à sua adesão, ela é essencial para podermos ser e fazer melhor.

PP - Existe alguma história engraçada que gostaria de partilhar connosco?

JCF - Logo no primeiro ano da IberAves e ao abrigo do Programa de Recolha de Aves ao Domicilio “obrigaram-nos” a fazer um desvio de cerca de 80 km do nosso trajecto normal para irmos recolher 25 periquitos australianos para a feira.
No segundo ano e na sequência da fuga de uma caturra, esta manteve-se em voo sem descanso durante 65 minuto (uma hora e 5 minutos), até que caiu exausta, se deixou recolher e descansou na sua gaiola de exposição sem prejuízo da sua saúde, felizmente.
Já este ano um dos últimos criadores a entregar aves, na feira, foi um associado sénior (com idade superior a 64 anos) que pediu desculpa por apresentar apenas tão poucas aves, havendo-se comovido quando o confrontámos com a ideia de que sem a sua presença e das suas aves esta não seria a mesma IberAves.


Terminamos agradecendo o interesse manifestado pelo “Psitacídeos Profissional” o qual apoiamos incondicionalmente, bem como queremos deixar, na mente de quem tivesse tido a paciência de ler estas nossas palavras, o conceito de que a IberAves é um projecto da A.O.R. cujo mérito é apenas de todos os criadores expositores que fazem da mesma aquilo que ela seja. Pedimos aos criadores que nos apoiem participando: a IberAves é vossa.

O nosso muito obrigado a todos.

PP - O "Psitacídeos Profissional" agradece também toda a disponibilidade do José Carlos para a realização desta entrevista, enaltecendo a forma profissional e responsável com que encara e contribuí para a ornitologia Portuguesa. Muito Obrigado!

Legenda:
PP - Psitacídeos Profissional
JCF - José Carlos Ferreira

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Re: Entrevista a José Carlos Ferreira - Vice-Presidente da Associação Ornitófila do Reguengo, organizadora da IberAves

Mensagem  Rosibird em Qui Nov 10, 2011 11:39 pm

Boas.
Excelente entrevista, resumindo todo o esforço feito pela A.O.R., na palavra do José Carlos, é um trabalho e esforço de louvar por esta Associação, continuação do escelente trabalho.

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Re: Entrevista a José Carlos Ferreira - Vice-Presidente da Associação Ornitófila do Reguengo, organizadora da IberAves

Mensagem  mcamedjay em Sex Nov 11, 2011 10:50 pm

Parabéns pela iniciativa Very Happy

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Re: Entrevista a José Carlos Ferreira - Vice-Presidente da Associação Ornitófila do Reguengo, organizadora da IberAves

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