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Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

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Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Ricardo Mendao Silva em Sex Jun 15, 2012 11:01 pm

O Luis tem vindo a destacar-se nos últimos anos como uma referência no que de melhor se faz em Roseicollis longfeathers em Portugal e não só. Para melhor conhecermos esta espécie nada melhor do que ser o próprio Luis a falar-nos da mesma, enquadrando-a no panorama Nacional.

Caro Luis, agradeço teres aceito dar esta entrevista ao Psitacideos Profissional, partilhando connosco o que de melhor fazes neste mundo.

PP - Antes de mais, conta-nos como começou essa paixão pelos Agapornis?
LG - Olá, eu e que agradeço o convite. Olha para te ser sincero eu tenho aves quase desde que nasci, mas no caso destas aves, os ditos “bicos tortos” nunca me seduziram até então, e esta aventura começou por acaso, quando no Verão de 2007 a minha Mãe foi de ferias e deixou ao meu cuidado um casal de roseicollis dela, que já tinham colocado ovos varias vezes e uma vez tinham nascido crias mas nunca vingou nada, estavam numa gaiola com um ninho de periquitos e tinham 4 ovos, consegui vingar 3 crias e quando a minha Mãe regressou das ferias e viu as aves com as crias já grandes, acabou por me despachar/entregar as aves e assim começou esta “loucura” ate as aves que tenho hoje.

PP - Foste dos primeiros em Portugal a trabalhar e a defender seriamente o longfeather, quando ainda a maioria dos criadores desconhecia esta vertente. Como surgiu essa aposta? Foi uma evolução natural como criador de Roseicollis?
LG - Olha, isto foi o evoluir e pesquisar sobre os roseicollis normais que me levou ate estas aves, comecei a expor os normais onde já tinha aves muito boas em cor, mascaras, porte, etc, esta descoberta acidental na Internet sobre esta variante de exposição, apenas aguçou ainda mais o gosto pelas exposições, genética, standards, etc, depois vieram as dificuldades, por cá já tinha havido pontualmente algumas aves destas importadas mas que foram desaparecendo, eu comecei a procurar por elas cá e encontrei muito pouco ou quase nada, e o que havia eram na maioria aves fracas, velhas, etc, que tinham ficado por ai, encontrei também um ou outro criador que estava a começar a dar os primeiros passos também e não tinham aves para ceder, e fiquei um pouco desencantado, mas como não sou de desistir, lá andei e encontrei depois alguma coisa num importador que muitas pessoas saberão quem é, que apesar de não ser a melhor maneira de começar ate se arranjou por lá uma ou outra ave que foi servindo de base para o arranque, mais tarde através de um amigo fui apresentado a um criador em Portugal que tinha algumas aves destas, que ele importou para Portugal, ele infelizmente teve de deixar as aves por motivos de saúde, deixo aqui a ele um abraço e que possa por cá continuar mais uns anos mesmo não sendo como criador, como pessoa, por estes motivos ele ia vender algumas aves que tinha, fiquei com 6 casais, não eram aves de topo, mas tinham bons sangues e foram algumas dessas aves a minha base para o que tenho hoje em dia, e penso que foram todas estas adversidades que me fizeram ser um apaixonado por estas aves, por este desafio e por defender estas aves por vezes de pessoas que falam muito do que não sabem e sem conhecimento de causa.

PP - Em termos de medalhas, tens pontuado nos maiores palcos, incluindo nos Campeonatos do Mundo. Quais são as tuas ambições ornitológicas para o futuro?
LG - Sim, as coisas tem corrido bem no geral por cá, eu tento levar as aves que mais gosto e que penso que me dão hipóteses de ganhar, por vezes não é fácil e mais nesta fase ainda inicial, porque fazer um plantel equilibrado destas aves não é fácil nem barato e demora uns anos a formar, por vezes levo aves novas em que deposito muita fé para o futuro mesmo sabendo que por ser novas terão poucas hipóteses num Mundial, mas é com o objectivo de tirar conclusões sobre as suas descendências futuras, porque as vezes as aves mais velhas ainda me fazem falta para criar e tenho de abdicar de possíveis prémios com elas para preparar o futuro, coisas que todos conhecemos e que por vezes temos de lutar aos poucos e não com a celeridade que gostava-mos, quer seja por motivos de espaço, tempo, dinheiro, etc, mas aos poucos tenho vindo a criar as condições necessárias, não as ideias por vezes, para poder ter as aves mais adequadas para as exposições. Em relação ao futuro passa por tentar manter uma consistência de resultados e evoluir quer a nível Nacional e principalmente a nível Mundial, que penso que é o objectivo de qualquer criador que leve isto a “peito” tenta conseguir. O meu primeiro mundial foi o de Portugal em Matosinhos, só com 3 aves mas que tiveram pontuações boas, perto dos melhores, depois no de França onde levei uma equipe que foi medalha de prata, e uma ave individual com 91 pontos e outra que penso 90 pontos, fiquei muito satisfeito, ainda mais porque tinha havido uma questão que me deixou um pouco triste com essas aves numa exposição cá em Portugal, mas são coisas que eu prefiro utilizar como evolução e andar para a frente, este ano em Espanha era para apostar de outra forma mais forte, mas depois ponderei bem e levei 6 aves apenas, uma de cada mutação e tirando uma delas, as outras eram aves muito novas que mal tinham feito a primeira muda, optei assim porque precisei das outras aves mais velhas para criar porque já era tarde e assim se fossem para lá ainda, muito mais tarde começaria a época de reprodução, e foi mais para ver as aves lá ao pé de outras muito boas e pelo que vi e pelas pontuações obtidas, fiquei bastante contente e acho que fiz bem, tem de se semear primeiro para colher depois, isto tudo porque ainda me faltam condições para poder preparar as aves para a competição e criação em áreas diferentes e ate esta momento o espaço tem sido o mesmo o que inviabiliza fazer as duas coisas na mesma altura, estou a tentar resolver da maneira possível.

PP - Pelo menos nos últimos dois anos, vimos o número de criadores de Roseicollis longfeather crescer bastante em Portugal. A que achas que se deve este fenómeno?
LG - Sabes que é normal com as novidades e também um pouco típico do nosso povo ir atrás das novidades e do que parece que vai ser a galinha dos ovos de ouro, mas como em tudo só se mantêm quem gosta mesmo de fundo, mas felizmente a diferença para outras aparições destas aves, é que desta vez houve um núcleo de meia dúzia de criadores que levou a coisa mais a sério e manteve as aves para ficar, depois há muitos que começam e rapidamente acabam, mesmo quase antes de começar quando se deparam com as dificuldades, outros ao fim de algum tempo porque não e bem como pensavam, etc, etc, mas felizmente, em vários novos criadores que vão aparecendo vão ficando sempre mais um ou outro para aumentar o “bolo”, e isso é bom para se formar algo consistente e haver uma disputa saudável nas exposições, mais pressão, mais concorrência, porque só assim se evolui.

PP - Este crescimento tem-se notado também ao nível da qualidade?
LG - Sim e não, sim porque vai havendo mais aves, mais criadores, mais concorrência e obriga a procurar e manter cada vez mais as aves boas e melhores para se poder chegar a algum lado e a padrões de qualidade mais elevados, e não porque nem sempre muito e sinal de bom, também se cria muito mais aves medianas e fracas e devido a muitas pessoas que não tem o conhecimento e aptidões ainda necessários para lidar com estas aves, trazem muitas aves fracas ao mundo, mas no deve e haver penso que o saldo da qualidade tem vindo a ganhar e isso e bom e positivo.

PP - Quais são as tuas perspectivas quanto ao futuro dos Roseicollis longfeather em Portugal? Continuaremos atrás das tendências Centro-Europeistas?
LG - É assim, estas aves o seu forte como nos sabemos é na Bélgica e Holanda aonde apareceram e se desenvolveram durante anos, neste momento já estão expandidos para vários outros Países da Europa como Itália, Portugal, França, Alemanha e noutros como a vizinha Espanha após o ultimo Mundial, e outros mais, são aves que enchem os olhos e os criadores que tem contacto com elas começam a procurar estas aves cada vez mais, mas a força continua a ser mais na Bélgica e Holanda, lá tem Clubes temáticos dedicados aos Agapornis só, tem muitas Exposições temáticas destas aves, feiras de vendas nos Clubes, palestras sobre a genética e criação, cursos de Juízes, tem uma cultura mais enraizada, mais forte e tem a B.V.A. que é o “Mundial” deles, aonde vão os grandes criadores de lá e mesmo de fora e vivem e respiram estas aves, neste caso não só os roseicollis mas todos os Agapornis, penso que sabem “vender o peixe deles” e essa dedicação, estudo, trabalho aprofundado na sua genética, etc, tudo isso os faz ir no comboio da frente. Por cá tendo em conta ainda o passado recente destas aves, penso que até tivemos um certo crescimento mais ou menos sustentado, boa qualidade das aves, vários criadores foram lá fora e trouxeram algumas aves boas que permitiu ter um bom património genético para uma base mais sólida e ver o futuro com bons olhos e mesmo fazer o nosso trabalho seguindo linhas e estilos diferentes, afinal cada criador quando o faz bem feito, dá as suas aves um cunho pessoal e diferente dos outros, agora sendo esses Países uma referência não a devemos descurar e ir acompanhando de perto e comparando as linhas bases só assim poderemos igualar e até passar mesmo que seja pontualmente por enquanto, e em Portugal temos mesmos noutras espécies de agapornis muito bons criadores que cada vez mais dão cartas nesses palcos Mundiais.

PP - Como encaras a coexistência dos Roseicollis ditos normais e longfeather nos campeonatos, nacionais e internacionais?
LG - É simples, só existem duas vias, ou se abrem e existem classes para as duas variantes como nos Periquitos Ingleses e Normais por exemplo, mas tem de ser cá e na C.O.M., porque se não faz pouco sentido andar por cá a fazer uma coisa e nos Mundiais outra, e essas aves não servirem se não para “encher” cá e os seus criadores depois não os poderem levar aos Mundiais, ou então o caminho são as aves de Exposição criadas para esse fim que são os Roseicollis Standard, os Periquitos Ingleses, os Mandarins de Exposição, etc que são aves trabalhadas para esse fim, como na maioria das aves que tem sido criadas e manipuladas ao fim e ao cabo para Exposições, porque como tem estado até este momento é o que se vê por cá, em algumas ganham por terem mais pontos a favor a nível de impacto visual em relação aos normais, ou são penalizados por pessoas que desconhecem estas aves e quais os seus critérios de selecção, não é peixe nem é carne e mesmo depois vê-se nos Mundiais as aves que ganham e o que as pessoas dizem dessas aves, por vezes parece que essas por estarem no Mundial e serem na maioria de estrangeiros, lá as aves são mais bonitas que por cá!!! ….. ou então ir por outro caminho que é fazer algo para estas aves num Clube dedicado a Psitacideos ou mesmo só a Agapornis…. ou deixar andar assim…… depende da vontade das pessoas e por cá não vejo muita vontade nas pessoas de se mexerem para mudar, típico também do nosso Povo, esta mal mas deixa-se andar!!!.

PP - Sendo uma ave resultante de vários anos de selecção, quais os cuidados a ter na criação e manutenção dos Roseicollis longfeather?
LG - Pois, aqui esta a parte mais difícil e complexa, se em termos de manutenção até nem são aves demasiado exigentes, penso que é o normal em termos de higiene, espaço, alimentação, etc, etc, acho importante terem bons espaços na altura do repouso e muda para poderem voar e não ficarem demasiado parados e fechados em gaiolas pequenas que para mim não ajuda muito depois nos resultados da criação, mas como em tudo nas aves não há verdades absolutas e cada um tenta fazer o melhor, o possível por vezes tendo em conta a carteira, espaço disponível e a sua própria ideia e a vontade de aperfeiçoar o que faz ou não.
Na parte que tem mais a ver com a criação e selecção em si, nestas aves não existe praticamente nada de literatura mais técnica, tem sido mantido um pouco em “segredo” na origem deles, falam-se umas coisas (nem sempre o que é, mas o que o que se quer passar), mas nada assim de muito concreto nem documentado quer em literatura quer mesmo na Net, ao contrario de muitas outras espécies, e até digo mais, penso que já se escreveu mais cá em Portugal sobre estas aves do que lá fora, porquê? não sei, se calhar lá é que tem razão e tentam manter alguns mistérios o mais escondidos possíveis, por isso os criadores que por cá se aventuraram primeiro tiveram mais dificuldades, primeiro em arranjar aves e depois em perceber os “porquês”, mas tendo vontade, perseverança e muita dedicação, vai-se conseguindo aos poucos, com erros, cabeçadas, avanços e recuos, ao fim e ao cabo a paixão que nos leva a correr contra as adversidades até chegar ao nosso objectivo.
Como perguntas-te e bem, são aves fruto de muitos anos de selecção para chegar ao aspecto dos dias de hoje, mas que tem ao mesmo tempo um aliado de defesa que corre contra nós criadores, a genética ancestral que lá esta dentro e puxa sempre para trás e tenta desmanchar o nosso trabalho, e penso que este é o “sal” da criação destas aves, em que se tenta manter em cada ave o máximo das qualidades, mas em que as crias tentam ao máximo mostrar-nos que não é fácil, que parece por vezes uma corrida inglória pois como são aves que reúnem como dificuldades, porte, plumagem, desenho e cor ideais numa só ave, mas dirá quem lê, mas isso é o normal em qualquer ave de Exposição, sim e é, mas em certas espécies como esta, a plumagem e muito diferente de um normal, o porte também e é muito variável, devido a plumagem o desenho ideal é muito mais difícil de conseguir e as cores como tem de ser muito mais intensas também são mais difíceis de conseguir devido as variáveis da genética e selecção, tendo mesmo por vezes em ninhadas aves de qualidades antagónicas extremas, depois tens as mutações que também dificultam muito em alguns casos, e a própria variabilidade inerente a esses critérios todos, como nos Periquitos normais e Ingleses, nos Canários normais de cor e nos Parisienses ou Norwich por exemplo, quantas pessoas criam destas aves de grande qualidade, em Portugal houve-se muito falar em Periquitos Ingleses, quando muita gente por cá pouco ou nada viu destas aves e cria aves fracas que de Ingleses apenas tem o nome que lhe foi dado por quem os cria, e é aqui neste ponto que já vejo algumas melhorias em relação a alguns (não muitos) anos atrás na criação e nos criadores de muitas destas espécies de aves principalmente no que conheço mais os Agapornis, procurar qualidade e não se ficar por aves medíocres, só assim se pode evoluir.

PP - Que conselhos darias a quem se pretenda iniciar nesta espécie/selecção?
LG - Olha, sabes uma coisa que me ficou na memória desde pequeno quando andava ainda no 5/6º ano, dito por uma professora de Inglês que era uma expressão que na Inglaterra usavam muito, “ se os conselhos fossem bons…., não se davam, …. vendiam-se!!!”, Agora a sério, penso que primeiro que nada devem primeiro eles próprios verem e saberem bem o que querem, lendo, pesquisando, visitando criadores, etc, depois de se decidirem ir por estas aves, terem em conta se lhes podem dar tempo e dedicação necessários, que vão despender de algum dinheiro, pois não são aves propriamente baratas, depois prepararem-se para adversidades e tristezas, desilusões, etc, mas também algumas alegrias, momentos únicos e uma sensação indescritível quando consegui-mos “aquela ave”, se após pesar os prós e os contras, depois disto tudo quiserem criar estas aves, existem para mim duas dificuldades iniciais, arranjar aves com certas características mais difíceis de conseguir, mascaras muito boas e uma cabeça bem dimensionada, ampla e com boa plumagem na cabeça/nuca, porque estas características aliadas ao resto, fazem as aves campeãs e estas são difíceis de conseguir, porque quem as tem/cria precisa delas, logo não as vende mais ainda nesta fase inicial, e a outra questão é o que as pessoas procuram sempre que visitam um criador, as aves muito grandes e descoram tudo o resto para mim mais importante, estas tem ou podem ter duas questões, se forem boas reprodutoras não estão a venda e muitas delas se estiverem, criam mal ou nem criam, muitos dirão isto e aquilo e não é bem assim, etc, etc, tirem daqui o que entenderem. Logo um “conselho” que dou, procurem primeiro nas aves que compram ao inicio as características principais que um Roseicollis Longfeather deve ter, o tamanho para mim vem quase em ultimo, neste momento vejo e penso assim, mas também já pensei mais nos “grandes”, por isso posso dizer que seja um conselho, também errei….. e muito, saiu-me do bolso.!!!, e formar primeiro que nada um conjunto de aves o mais homogéneo possível e que criem, porque dai vão aparecendo alguns melhores que os próprios Pais, e aos poucos vai-se criando algo, se comprar aves velhas sem saberem de onde vêem, demasiado grandes, o mais certo e criarem muito pouco ou nada, e sem crias não há inicio de nada….

PP - Como descreves o suporte ao criador de psitacídeos, por parte de clubes e federações em Portugal? Legislação, suporte nos campeonatos, anilhas, etc.?
LG - Em relação a este tema, penso que ainda temos muito a fazer em termos destas entidades principalmente em termos de Exposições, gaiolas adequadas, alimentação adequada e mais alguns pontos, porque afinal o criador de Psitacideos paga o mesmo que os outros criadores, logo tem de ter a mesmas condições nas provas para as suas aves, só assim poderemos ter mais aves desta família em Exposição, tivemos também não nos Roseicollis mas nos outros agapornis a questão dos CITES que levou alguns criadores a abandonar a criação destas aves, e em relação ao assunto das anilhas que é uma questão muito importante, eu só de escrever este nome fico com arrepios tal foi a má qualidade delas este ano, tenho as minhas aves com as anilhas todas sem cor e mal se vêem os números, penso que isto é inconcebível acontecer nos dias de hoje e numa Federação, foram anilhas mais caras que as normais e são de pior qualidade ao dobro do preço, nos outros anos já não eram muito boas (mais em termos de cor), neste ano pioraram e muito, vamos ver se não irá haver problemas nas Exposições.

PP - Existem clubes de canários, canários de porte, exóticos, etc.. Porque achas que nunca se conseguiu constituir e manter um clube de psitacídeos?
LG - Eu a nível competitivo nesta Espécie tenho ainda poucos anos e nestes anos ainda não tive conhecimento da formação ou tentativa de formar algo nesse sentido, mas penso que a falta deve-se um pouco pelos mesmos motivos que em termos dos próprios clubes generalistas, falta de pessoas cada vez maior no associativismo, falta de tempo, existe sempre muita gente disposta a criticar a opinar mas depois poucas com vontade de pôr as coisas em pratica e a meter a cabeça no cepo, existe por cá muito o culto de se dizer que se for feito algo se apoia e tal, mas dar o passo, ai já e diferente, é mais fácil ficar a ver e se correr bem tira-se dai os benefícios, se correr mal fica-se de fora a criticar que é bem mais fácil, penso que é cada vez mais apanágio da nossa cultura.

PP - Que benefícios visionarias da existência de um clube do género?
LG - Todos, quer em termos de vivência dos criadores, partilha de formação e informação, Exposições especificas e mais adequadas as aves em questão, quer em termos de timings quer de alojamentos, alimentação, julgamentos, etc, feiras de aves mais especificas e dirigidas principalmente aos criadores, anilhas especificas e em condições, que cheguem as mãos dos criadores atempadamente e nas alturas em que fazem falta para iniciar a época, porque estas aves tem por vezes épocas de criação diferentes, para que possam ter tempo de estar nas exposições em condições de idade e plumagem mais ideais e mais algumas questões que poderiam fazer a diferença para melhor.

PP - O panorama socio-económico em Portugal tem se vindo a agravar. Sentes o impacto desse fenómeno na ornitologia?
LG - Sim, sente-se cada vez mais, quer seja pelo aumento dos consumíveis que gastamos nas nossas aves, sexagens, CITES, Clubes, anilhas, Federação, pela dificuldade que temos cada vez maior em retirar dinheiro da “nossa boca” para ir para as aves. Uma coisa que tenho constatado também e mesmo com a crise, é que as aves muito boas tem sempre alguma procura, o problema cada vez maior é escoar as restantes, porque lá está, potencias novos criadores que por vezes compram essas aves para se iniciarem, neste momento são cada vez menos, e os que tentam comprar, procuram preços mais baixos das aves também por falta de verba, o que torna complicado a quem investe em aves caras, muitas despesas e depois ter de vender o excedente muito barato, depois temos cada vez mais caro tudo o resto inerente ao hobby das Exposições, e pelos vistos mais o novo aperto da fiscalização de Finanças, Asae, etc, etc, a quem nada lucra com isto como é o caso da maioria dos Criadores desportivos, há quem faça disto mais negócio e meio de vida, são coisas distintas, mas são coisas que deveriam já estar devidamente acauteladas e enquadradas na Lei e nas Federações para salvaguardar estas questões, vamos ver o desenrolar desta questão que pode ser mais uma “machadada” na Ornitologia Desportiva.

PP - Para concluir, existe alguma história que gostarias de partilhar connosco?
LG - Olha, assim de repente e tendo em conta o assunto abordado, duas pequenas passagens que ilustram o mundo da criação de aves para o bem/sorte e para o mal/azar:
- O ano passado um casal de aves que tirou em duas posturas 9 crias todas machos, fiquei lixado.., só tirei machos!!!, entretanto queria parar o casal para não criar mais nesse ano e fechei o ninho, mas a fêmea entretanto ainda colocou um ovo no chão, eu pequei no ovo e coloquei-o debaixo de um casal de roseicollis normais Turquesa Violeta e esqueci, as crias nasceram e ao fim de uns dias comecei a reparar que uma cria estava a ficar muito maior que as outras e só ai me lembrei, deve ser o ovo que coloquei aqui e pensei que nem deveria estar galado, conclusão era o tal ovo, que por sinal me deu a melhor cria desse casal e engraçado, era uma fêmea..!!!!, há horas de sorte e felicidade…
- O ano passado também, quando chegou a altura de apanhar as aves para preparar a época de Exposições tinha uma ave macho Lutino, uma das melhores aves criadas por mim, irmão de outros dois que já tinham tirados vários prémios no ano anterior em varias Exposições, sendo mesmo um Campeão Nacional e outro 3º classificado, esta ave estava a fazer dois anos e era uma ave fenomenal que tinha guardado para ir ao Mundial passado em Espanha, apanhei as aves dos voadouros depois de almoço, coloquei nas gaiolas com comer e agua e ficaram todas bem, do dia seguinte de manhã quando cheguei a sala das aves, esta ave esta morta no canto da gaiola!!!!!, devem calcular como fica um criador que tem uma ave dois anos sem nenhum problema, de perfeita saúde, uma ave de topo daquelas que criamos apenas algumas num ano ou em vários e a ave em poucas horas esta morta, andei uma semana que nem me apetecia olhar para as aves, da vontade de desistir as vezes!!!....

PP - Mais uma vez, obrigado pela atenção.
LG - Nada, eu e que agradeço, um abraço e boa sorte para todos os colegas criadores/Expositores.




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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Janeca em Sab Jun 16, 2012 7:52 am

Parabens muito boa a entrevista gostei muito
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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  mcamedjay em Dom Jun 17, 2012 8:46 pm

Boa entrevista Wink

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Jccr76 em Seg Jun 18, 2012 10:56 pm

Parabens Luis pela entrevista...

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  AlexCoelho em Seg Jun 18, 2012 11:53 pm

Parabéns.
Muito bom mesmo.
Obrigado aos dois intervenientes.

Abraço,
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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Rosibird em Ter Jun 19, 2012 1:01 pm

Boas.
Obrigado pelos comentarios, afinal é um pouco do que todos nós criadôres passamos durante o ano e na altura das Exposições, no nosso percurso dentro do mundo das aves, uns mais a serio, outros mais na desportiva, por vezes fazendo o que podemos e nem sempre o que queriamos.

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  cblampreia em Qui Jun 21, 2012 8:03 am

Parabéns pela entrevista Luís.

Epá, estava era à espera que dissesses qual é o produto que dás às aves para ficarem grandes e com cores intensas Very Happy Very Happy

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Ricardo_Roseicollis em Sex Jun 22, 2012 7:21 am

Parabéns Amigo Luís, és aquela máquina cheers cheers



1 forte abraço!
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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Rosibird em Sex Jun 22, 2012 3:07 pm

Boas.
Ó claudio, nem pensar, tenho o frasco do produto la em casa mas rasguei o rotulo para ninguem sabêr..... Very Happy Question O segredo é o que tu sabes, muito trabalho, selecção forte, boa alimentação, e por vezes tambem uma ponta de sorte...., não há remedios milagrosos Wink

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Edgar Tourita em Sex Jun 22, 2012 10:10 pm

Parabéns por esta bela entrevista.

Luis continuação de um bom trabalho que tens vindo a desenvolver, desejo-te tudo de bom, e que consigas atingir os teus objectivos.

Um abraço
Edgar

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  AVESDOTIRABICOS em Seg Jun 25, 2012 11:31 pm

Para mim só melhor que este tipo de entrevista só mesmo as conversas que se tem com o "copo na mão", e como tal o encontro é algo que se devia fazer que é sempre bom pra todos.
Apesar de não não me dizer muito o tipo de expos que se faz é sempre bom dar uma diferente visão do mundo dos pardais e parece-me que as perguntas foram bem pensadas e que as respostas foram dadas sem "truques na manga" porque quantos mais tivermos conhecimento melhor para todos e a diferença faz-se com a dedicação que se tem aos pássaros e da experiencia acomulada.
Quando tiver a oportunidade de ir para os teus lados faço questão de me encontrar contigo. Pessoalmente aprende-se sempre mais.
Parabens aos dois e decerto que mais pessoal poderia dar as suas opiniões sobre este mundo Very Happy

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Rosibird em Seg Jun 25, 2012 11:55 pm

Boas.
Da minha parte, as portas estão abertas, e se há alguem que gosta de falar de aves abertamente e muito... sou eu, quem me conheçe bem, sabe que gosto de falar abertamente das aves e de ajudar quem me solicita, porque sempre que se fala de aves abertamente, aprendemos todos uns com os outros, todas as experiências são validas e trazem sempre algo de novo.

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Tiago Neves em Qui Jun 28, 2012 8:15 am

Boas,

Quero felicitar o Ricardo por mais uma excelente iniciativa, espero que em breve nos brindes com mais entrevistas Smile

Felicito também o Luís pela forma aberta como respondeu as questões e por ter partilhado connosco os seus conhecimentos/experiencias sobre esta raça/mutação que lhe é tão querida e onde se tem destacado no panorama ornitófilo nacional e internacional.

Votos de uma época de exposições repleta de trofeus. Wink

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

Mensagem  Rosibird em Seg Ago 06, 2012 11:34 am

Boas.
Obrigado a todos pelos comentarios, partilhei o que sei (e o que não sei), de forma aberta e o mais clara possivel, pois para escrever tudo dava um livro e mesmo assim sempre incompleto. Tive o prazêr de conheçêr pessoalmente o amigo Cipriano, que prometeu aqui uma visita e cumpriu a semana passada, espero que tenha gostado de vêr as aves e as instalações que são modestas e pequenas mas é o que se pode arranjar para dar pelo menos as condições necessarias ao trabalho com as aves.

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Re: Entrevista ao criador de Roseicollis longfeathers Luis Grencho

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